quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A aprendizagem na perspectiva humanista: Carl R. Rogers


Rogers é um dos representantes da psicologia humanista. E, dentro da linha humanista, ele dá grande importância às experiências da pessoa, a seus sentimentos e valores e a tudo o que pode ser resumido como vida interior. Também, é uma das mais importantes teorias da psicologia contemporânea.

Rogers acredita que qualquer pessoa “contém dentro de si as potencialidades para a saúde e o crescimento criativo”. Para ele, o homem é um ser racional, capaz de realizar o seu destino. Portanto não é determinado, mas livre.O humanismo acredita no homem bom, racional e livre, com atitude otimista e visão de realização.

As ideias de Rogers são aplicadas à vida familiar, a conflitos e organização de grupos, à educação e aprendizagem. Para ele, a estrutura da personalidade é baseada no organismo e no self. No organismo, localiza-se a experiência humana, e significa todo o campo fenomenológico onde se situa o homem. Deste campo fenomenológico se destaca uma parte, o self, ou autoconceito, representando a noção que a pessoa tem de si (tanto a real – o que realmente é, como a ideal – e o que deseja ser).

Assim como pensa Gardner (estudado antes), Rogers propõe um ensino centrado no aluno, já que é ele que aprende. Mas segundo ele, para aprender, existem algumas condições, que são:
- Confiança na capacidade dos outros de aprender por si mesmo;
- O professor-facilitador partilha com os estudantes a responsabilidade pelo processo de aprendizagem e provê os recursos de aprendizagem;
- O estudante escolhe o seu próprio programa de estudos;
- É oferecido um clima facilitador de aprendizagem;
- O foco da aprendizagem não está no conteúdo, mas em favorecer um processo contínuo de aprendizagem;
- A disciplina é responsabilidade do aluno;
- E a avaliação é feita pelo próprio aprendiz.

Rogers também estabeleceu alguns princípios de aprendizagem. O princípio central de sua teoria é que não se pode ensinar diretamente a alguém, o que se pode é facilitar a aprendizagem. Outro ponto que ele ressalta é que quando o aluno participa do processo de aprendizagem, esta é facilitada. O aluno aprenderá melhor quando buscar o conhecimento de acordo com seus interesses e do seu ritmo pessoal. E esta aprendizagem voluntária será mais duradoura e persistente.

Rogers também se questiona quanto ao ensinar com o mundo em mudança, sendo que o conhecimento se desatualiza em pouco tempo. Mas aqui ele ressalta que o professor deve ser apenas um facilitador da aprendizagem.

Ainda, são necessárias algumas qualidades do professor-facilitador, para que esse possa desempenhar sua função com êxito:
- O professor deve ser autêntico, uma pessoa real, pode ter entusiasmo ou fleuma, irritação ou simpatia. Não precisa disfarçar o que sente. Pode mostrar se gosta ou não do trabalho dos estudantes, sem deixar de ser um bom professor. Só assim, eles o verão como uma pessoa franca e confiarão nele.
- O professor deve ter apreço, aceitação e ser confiante. É preciso que o professor tenha confiança no organismo humano e nas suas potencialidades e saiba viver a incerteza da descoberta, isto é, saiba conviver com a dúvida.
Para Rogers, numa classe tradicional, em que a ênfase está nos exames, nas notas, na matéria, não há lugar para a pessoa em mudança. E o professor muda tanto quanto o aluno, quando dá liberdade para mover-se, liberdade de ser e de manter a dignidade. Para ele, isso não é sonhador demais. Confiar nas capacidades do outro é mais do que ser apenas professor. É ser um facilitador, que proporciona aos alunos liberdade, vida e oportunidade de aprender.

Rogers acredita na liberdade, e situa algumas destas para promovê-la. Destaco aqui, quando a autora cita Woolfolk (2000), que diz que “ambientes de sala de aula que apoiam a autonomia do aluno estão associados com maior interesse, senso de autocompetência e preferência por desafio”.

Além disso, Rogers também acredita na cooperação. Estudos citados por Woolfolk (2000) demonstram que, quando a tarefa envolve aprendizagem complexa e habilidade de solucionar problemas, a cooperação leva à maior realização do que à competição. Além disso, “a aprendizagem cooperativa bem planejada pode resultar em capacidade melhorada de ver o mundo do ponto de vista de uma outra pessoa, melhores relações entre diferentes grupos étnicos em escolas e salas de aula, autoestima aumentada, maior disposição para ajudar e encorajar colegas e ainda, maior aceitação de alunos incapacitados e de baixo desempenho.
Além de tudo isso, Rogers acredita muito no poder da pesquisa como método de aprendizagem.

Rogers descreve as aprendizagens através da simulação sendo que com ela, o conhecimento é integrado com a vida. Ainda, os alunos desenvolvem a responsabilidade e isso traz bons resultados a aprendizagem.

A instrução programada, outra estratégia defendida por Rogers, tem sua base no condicionamento operante, mas pode ser utilizada por múltiplos meios, inclusive como facilitador da aprendizagem. Pra Rogers, as instruções programadas mais curtas são as mais úteis.

Por fim, Em educação, Rogers, considera o aluno como um todo, o que significa mais que a soma das partes, cuja natureza se expressa em relação aos outros. É um ser consciente, com capacidade de opção, isto é, tem liberdade para decidir. É, também, um ser com intencionalidade, o que significa que suas ações se dirigem a um fim.
Sua pedagogia "centrada no aluno" valoriza mais o significado que os procedimentos metodológicos. Sabe que todo o conhecimento é sujeito à mudança e, por isso, o que importa é a experiência do aluno, responsável por toda a aprendizagem.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Reflexões sobre a Teoria Humanista de Rogers

Acredito que Rogers traz uma grande contribuições para a educação em sua teoria. Ele consegue apontar fatores para que sua teoria seja aplicada, dando estratégias para desenvolvê-las, uma coisa que não foi tão claro perceber nos outros textos.

Por este ponto de vista, acredito que o humanismo é uma corrente muito forte no que diz respeito a atualidade de informações, assim como a Teoria de Gardner.

Acredito que aplicá-la deve render bons frutos, tanto ao aluno quanto ao professor. O que me preocupa são apenas os extremos. O tradicionalismo extremo e a liberdade extrema. Mas acredito que um bom professor consiga conduzir sua aula (ou facilitar a aprendizagem) sem que este extremismo me deixe preocupado. Porque afinal, estamos falando de alunos que necessitam de conhecimento, e como a motivação parte deles, o professor deixa de ser o ator principal (como na teoria comportamentalista) e passa a ser mais um coadjuvante na vida escolar do aluno.

Sem o coadjuvante, o ator principal não conseguirá alcançar seus objetivos com eficiência máxima. Por isso, acredito que somos tão importantes quanto o aluno.

Mas, por ora, me detenho a dizer que a teoria de Rogers me atrai para um lado bom, um lado da liberdade, que com certeza, contribui para o desenvolvimento de minha formação, e mais futuramente, às minhas aulas.

Fichamento - Texto: A aprendizagem na perspectiva humanista: Carl. R. Rogers

Filme: Sociedade dos Poetas Mortos


Filme: No final dos anos 50, ex-aluno (Robin Williams) de uma conservadora escola preparatória se torna o novo professor de literatura da instituição. Entretanto, os métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos criam um choque com a ortodoxa direção do colégio. 

Sueli Zaparolli, comentando o filme: "A escola é o lugar onde não só aprendemos os conteúdos programáticos propostos, para obtermos cultura e informação, mas principalmente onde se aprende a viver em conjunto. Época de conquistas, de formação integral e de auto- afirmação. Por meio do filme percebe-se o quanto a educação é coisa do coração, do sentimento também".

Muito interessante, a princípio, pelas cenas que pude ver. Estou baixando e pretendo assistir completo.

Mapa Conceitual: Carl Rogers

Disponível em : http://cmapspublic2.ihmc.us/rid=1208620457437_183048869_611/carl_rogers.cmap. Acesso em 27 fev. 2013.

I can change!


Reportagem Carl Rogers, um psicólogo a serviço do estudante


Para o fundador da terapia não-diretiva, a tarefa do professor é liberar o caminho para que o estudante aprenda o que quiser.
As idéias do norte-americano Carl Rogers (1902-1987) para a educação são uma extensão da teoria que desenvolveu como psicólogo. Nos dois campos sua contribuição foi muito original, opondo-se às concepções e práticas dominantes nos consultórios e nas escolas. A terapia rogeriana se define como não-diretiva e centrada no cliente (palavra que Rogers preferia a paciente), porque cabe a ele a responsabilidade pela condução e pelo sucesso do tratamento. Para Rogers, o terapeuta apenas facilita o processo. Em seu ideal de ensino, o papel do professor se assemelha ao do terapeuta e o do aluno ao do cliente. Isso quer dizer que a tarefa do professor é facilitar o aprendizado, que o aluno conduz a seu modo. 

A teoria rogeriana - que tem como característica um extenso repertório de expressões próprias - surgiu como uma terceira via entre os dois campos predominantes da psicologia em meados do século 20. De um lado havia a psicanálise, criada por Sigmund Freud (1856-1939), com sua prática balizada pela ortodoxia, e, de outro, o behaviorismo, que na época tinha B. F. Skinner (1904-1990) como expoente e se caracteriza pela submissão à biologia. A corrente de Rogers ficou conhecida como humanista, porque, em acentuado contraste com a teoria freudiana, ela se baseia numa visão otimista do homem.

Para Rogers, a sanidade mental e o desenvolvimento pleno das potencialidades pessoais são tendências naturais da evolução humana. Removidos eventuais obstáculos nesse processo, as pessoas retomam a progressão construtiva. "Ele chamou a atenção para a formação da pessoa, a importância de viver em busca de uma harmonia consigo mesma e com o entorno social", diz Ana Gracinda Queluz, pró-reitora adjunta de pesquisa e pós-graduação da Universidade Cidade de São Paulo.

Rogers sustentava que o organismo humano - assim como todos os outros, incluindo o das plantas - possui uma tendência à atualização, que tem como fim a autonomia. Na teoria rogeriana, essa é a única força motriz dos seres vivos. No caso particular dos seres humanos, segundo Rogers, o processo constante de atualização gerou a sociedade e a cultura, que se tornam forças independentes dos indivíduos e podem trabalhar contra o desenvolvimento de suas potencialidades.


Ferrari, Márcio. Carl Rogers, um psicólogo a serviço do estudante. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/carl-rogers-428141.shtml?page=0. Acesso em 27 fev. 2013.